Mas eu precisava ser designer…

Mas eu precisava ser designer…

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Quando decidi estudar artes visuais, no ano 2000, meu pai me perguntou com uma cara de desgosto o que faz um artista visual.  Logo ele que me ensinou a paixão pelo desenho! A minha vontade era responder que eu também não sabia, mas lhe expliquei, com alguma dificuldade e tentando me recordar do que estava escrito no manual do candidato, sobre a área de design gráfico e as características da profissão. Hoje vejo que ele não estava errado, só queria que eu escolhesse uma profissão que me trouxesse mais estabilidade financeira. Mas nunca me vi em uma profissão fora do círculo da arte, mantive firme meu propósito e decidi fazer a minha escolha, escolhi meu talento.

Descobri o design, de fato, na faculdade. Aprendi que a fantasia em torno da profissão é muito grande. Você acaba por romantizar o seu futuro profissional e, as vezes, isso se torna um fardo a ser carregado pela vida toda. Fiz um curso em que o currículo estava sendo adaptado às novas realidades do design, estudei entre 2001 e 2004 na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Questionávamos muito a quantidade de disciplinas artísticas, queríamos uma aprendizagem que incluísse uma formação técnica que não cabia a universidade. Houveram alterações no currículo das turmas posteriores e várias disciplinas do processo gráfico foram incluídas. Fiquei feliz ao saber que o curso de design da UFG foi avaliado como o melhor do país em 2013 pelo Guia do Estudante (Clique aqui para ver a avaliação). Hoje tenho plena convicção que as disciplinas artísticas foram muito importantes para nossa formação e também tenho certeza que não conhecer a fundo o processo gráfico ainda me faz falta.

Você acaba por romantizar o seu futuro profissional e, às vezes, isso se torna um fardo a ser carregado pela vida toda.

Fiquei a fase da faculdade “experimentando trabalhar”, não possuía experiência necessária nem o conhecimento técnico para ser contratado por uma empresa. Então fazia trabalhos para pessoas conhecidas, família e trabalhos acadêmicos para empresas reais (de graça ou quase) para a formação de um portfólio e adquirir a prática das ferramentas de desenho e edição de imagens. Um conselho para quem está começando e não consegue trabalho: existem várias organizações, entidades sociais e outras empresas sem fins lucrativos que precisam do nosso serviço e muitas vezes não conseguem pagar por um bom profissional. O design, como toda profissão, tem sua responsabilidade social e acho bacana fazer um trabalho para quem precisa realmente. Nessa fase também me aventurei na docência e lecionei arte. Foi o que segurou minhas pontas e pagou minhas contas por vários anos.

Mas eu precisava ser designer, viver de design (como diria Strunck). Foi quando pedi demissão da escola em que trabalhava e me foquei na busca de uma vaga de designer. Fiquei alguns meses fazendo freelas e entrevistas de emprego, até que arranjei trabalho em um bureau de impressão. Pronto, agora sim. Pagava-se bem, trabalhava-se feito desesperado, campanha política, horas extras intermináveis. Resumindo, era punk brother! Criar santinhos de políticos não era bem o que eu queria. Então voltei aos sites de emprego e anúncios de jornais. De repente apareceu uma oportunidade que parecia bacana, enviei um currículo e depois de um tempo me chamaram para entrevista. Nunca havia colocado a mão em um Mac e, de repente, tive que fazer um layout para o teste usando Indesign e Illustrator. Aprendi muito neste estúdio, me familiarizei com a plataforma Mac, abandonei o famigerado Corel e aprendi trabalhar com a Suite da Adobe. Colei nos designers que trabalhavam comigo, aprendi o máximo que consegui, pude ver minhas deficiências trabalhando.

Estava tudo dando certo, mas, voltando ao questionamento do meu pai, eu precisava ganhar mais. Estava longe de ter a estabilidade financeira que ele desejava para mim. Então fui em busca dos concursos públicos e ficava garimpando todas as vagas de design que surgisse. Não iria fazer isso tudo para ficar batendo carimbo em repartição. Depois de dois tombos fui aprovado no Tribunal de Contas do Tocantins onde trabalho como designer. Mas, é claro, não vou parar por aqui. Estou casado, tenho uma filha linda, uns planos pro futuro, mestrado, professor  universitário, artista plástico… porque a gente sempre precisa ganhar mais…rsrs

Ronaldo Cordeiro de Toledo Gomes administrator

Nasci em Goiânia, agora radicado em Palmas-TO. Cursei bacharelado em Artes Visuais com habilitação em Design Gráfico pela Universidade Federal de Goiás e hoje sou designer efetivo do Tribunal de Contas do Tocantins.